Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher.
Eu poderia escrever apenas uma mensagem de parabéns, como tantas que aparecem neste dia, cheias de flores, frases bonitas e homenagens merecidas. As mulheres realmente merecem reconhecimento, respeito e admiração por tudo o que constroem, sustentam e transformam todos os dias. Mas confesso que, ao pensar no significado real desta data, também sinto um peso difícil de ignorar. Parabenizar as mulheres é justo e necessário. Elas carregam uma força que atravessa gerações, sustentam famílias, lideram comunidades, produzem conhecimento, trabalham, educam, cuidam e ainda assim muitas vezes seguem invisíveis ou subestimadas. O mundo funciona todos os dias graças ao trabalho, à inteligência e à resistência das mulheres. Isso precisa ser reconhecido. Ao mesmo tempo, é impossível olhar para a realidade e fingir que tudo está bem. Vivemos em um mundo onde a violência contra a mulher ainda é cotidiana. Em muitos lugares, ela não é apenas um problema social, mas quase uma tradição silenciosa, algo que se repete de geração em geração como se fosse parte da cultura. Em regiões de guerra, as mulheres continuam sendo algumas das maiores vítimas de conflitos que não escolheram. Perdem casas, famílias, segurança e dignidade. Muitas são forçadas a fugir, muitas sofrem violência, muitas vivem apenas tentando sobreviver em meio ao caos criado por decisões que nunca passaram por suas mãos. Mesmo longe das guerras, a realidade continua dura. Em vários países e também no Brasil, os números de violência contra a mulher ainda assustam. A cada dia surgem novas histórias de agressão, abuso e feminicídio. Isso não é apenas estatística. São vidas interrompidas, famílias destruídas e uma sociedade que ainda falha em proteger quem deveria estar seguro. Por isso, hoje eu parabenizo as mulheres. Parabenizo pela força, pela inteligência, pela coragem e pela capacidade de continuar existindo e construindo mesmo em um mundo que muitas vezes não é justo com elas. Mas também reconheço que o Dia Internacional da Mulher não pode ser apenas uma celebração. Ele precisa ser um lembrete incômodo de que ainda há muito a mudar. Talvez o verdadeiro respeito às mulheres esteja justamente nisso: não transformar este dia apenas em homenagem, mas em consciência. Reconhecer o valor das mulheres, celebrar suas conquistas e, ao mesmo tempo, não fechar os olhos para as injustiças que ainda persistem no Brasil e em tantas partes do mundo.