#contos

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A humanidade dominou o planeta.

Construiu máquinas, cidades e um mundo que parecia eterno.

Então tudo acabou.

No ano 10.039, quase ninguém lembra que uma civilização existiu.

Mas nas montanhas esquecidas e nas ruínas silenciosas, algo ainda permanece.

Algo que nunca parou de esperar.

10.039

Emerson Lima

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O silêncio de Lucas

Quantas vezes o destino de uma pessoa pode mudar ao longo de uma vida? E quantos caminhos diferentes podem nascer de um único instante que parecia insignificante?

A história de Lucas atravessa anos de desafios, perdas e recomeços. Entre momentos difíceis e pequenas vitórias, sua vida segue marcada por acontecimentos que parecem sempre colocá-lo à prova.

Mas às vezes o passado encontra maneiras inesperadas de voltar à superfície. E quando isso acontece, algumas perguntas que ficaram esquecidas por muito tempo podem finalmente exigir uma resposta.

O silêncio de Lucas é uma história sobre o peso das escolhas, os caminhos que a vida impõe e aquilo que permanece guardado mesmo quando ninguém mais percebe.

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juliofraiz
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O DRAGÃO BOQUINHA

O DRAGÃO BOQUINHA

Era um domingo de sol escaldante. Logo às sete, Juliano acordou com o bafo de dragão invadindo as janelas no pacato vilarejo do Camarãozinho. Calçou os chinelos e, como um bicho acuado, driblou os móveis até desabar na cadeira da mesa de jantar. A mãe, sentinela do decoro, sentenciou: — Cuidado, Juliano. Temos visitas. Comporte-se para que eu não passe vergonha.

Juliano optou pelo silêncio, o único refúgio dos sãos. Preparou um pão com manteiga, surrupiou umas frutas e socou tudo na mochila junto com seu exemplar de Triste Fim de Policarpo Quaresma. Fugiu para sua árvore de estimação, plantada estrategicamente diante de uma caverna que vomitava sombra o dia inteiro.

Lá, encostou as costas no tronco e abriu o livro. Lima Barreto era o consolo; a caverna era o abismo. Juliano nunca tivera coragem de entrar. Era um medroso com instinto de explorador, aquele tipo de alma que flerta com a escuridão esperando que ela lhe entregue a chave da luz sem cobrar o preço do sangue.

De repente, a temperatura despencou. Uma sombra colossal engoliu a copa da árvore e a rocha. Fagulhas de fogo riscaram o céu, morrendo na vegetação úmida. Num reflexo bruto, Juliano agarrou um coco descascado e o arremessou contra o eclipse que o cobria. O projétil atingiu a orelha da fera. Um rugido estrondoso cortou o ar: — Muito bem, garotão. Na próxima eu venço.

O bicho se ajeitou apenas para garantir que o menino ficasse na sombra. Era um cuidado quase obsceno. O dragão era um delírio visual: cara vermelha, corpo em cores vibrantes e uma boca do tamanho de um alfinete. Não devorava humanos; precisava assá-los e picá-los em pedaços microscópicos. Ele só aparecia quando o enigma interno de alguém pedia conta.

— Alguém com dilemas internos por aqui, meu caro? — provocou o monstro. — Vim buscar o biruta que se perde na própria cabeça.

Juliano ferveu. Sabia que o “Boquinha” só surgia na encruzilhada do sentido. Respondeu com o peito estufado, embora as pernas pesassem: — Chegou tarde, Boquinha. Eu já estava de partida. Aquela caverna ali… hoje é o dia. Vou entrar sem lanterna.

O dragão gargalhou, um som de vidro quebrando: — Olhem só, o Zé Dileminha vai encarar o breu sem a saia da mãe!

Juliano caminhou. Passos largos, nem tão firmes, em direção ao seu fruto proibido. Entrou na caverna e a vertigem o abraçou. O breu era sólido. Ele tropeçou, “catou cavaco” por dois metros e se espatifou no fundo. Cabeça no chão, joelho na pedra, o corpo inteiro latejando a realidade do impacto.

Quando a visão se habituou ao nada, ele percebeu que não havia túneis ou labirintos. Era apenas um salão claustrofóbico, de três metros por quatro. No ponto mais profundo, pregado na parede, um cartaz dizia: “Aqui está a sombra”.

Abaixo do cartaz, o golpe final: um espelho.

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O PORCO DA GARUPA

O Porco da Garupa

A porteira rangeu — um aviso seco que ele escolheu ignorar. No interior de Minas, o silêncio não é ausência de voz; é um bicho de tocaia na escuridão, medindo o tamanho do erro. Ele atravessou os batentes, pôs a bota no chão e puxou o trilho frio. No galope do medo, querendo ganhar o trecho, cometeu o pecado capital: deixou a madeira bater. Foi o estalo do veredito. O arame torto agora guardava o que já estava lá dentro, instalado no banco de trás: um suíno de óculos, rosnando a autoridade de quem é dono do caminho.

O cheiro azedo tomou o habitáculo antes da primeira palavra. Por cima das lentes, o bicho lançou o desdém de quem já viu o fim do mundo. Não buscava o cocho. Fugia do destino das carnes cozidas, mas não por medo da faca — fugia por nojo da lama e do cheiro de bicho bruto. “Saia daqui, seu porco imundo”, ele lembrou da mãe gritando, “se não quer virar jantar dos seus próprios semelhantes, já vá logo andando”.

Vendo o porco soluçar um lamento quase gente, o homem cedeu. Abriu o porta-malas, sacou a palheta e empunhou a viola, crente de que o aço das cordas lavaria o lodo daquela alma. Buscava o milagre da estrada; entregou o martírio.

As mãos eram trêmulas, o ouvido, mouco. O primeiro acorde não foi música, foi ofensa. As cordas gemiam um ruído de dobradiça enferrujada, um lamento de nervo exposto, uma desarmonia que agredia o mato e, principalmente, o passageiro. O porco, que antes chorava carência, estancou. O olhar fechou-se por trás das lentes; o monstro, ferido pela estética medíocre, acordou de vez.

Um “chega!” rouco fez o chão tremer. “Antes a faca no pescoço do que essa nota cega!”. O salto na jugular não foi por fome, foi por asco. A vingança do ouvido contra o erro. Se a viola não sabe chorar, o porco executa o violeiro. O silêncio da estrada, enfim, foi restaurado.

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Um conto escrito por Obdulio Nuñes Ortega onde o personagem principal é o horror…

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Além do Horizonte: O Espelho de Raline e Alisson

Capítulo 1: O Despertar no Paraíso

O som baixo do despertador às 5h da manhã era apenas um detalhe. Antes mesmo que Raline pudesse pensar em reclamar do horário, sentiu o peso do braço tatuado de Alisson puxando-a para mais perto. Ele não era de falar muito cedo, mas o beijo que depositou no ombro dela, seguido pelo “Bom dia, minha deusa” sussurrado ao pé do ouvido, valia mais que qualquer declaração pública.

No banheiro amplo e luxuoso, sob o vapor da água quente que embaçava os vidros, o mundo lá fora não existia. Alisson, que passava o dia dominando o asfalto como piloto de moto e moto uber, ali se tornava a calmaria de Raline. Enquanto a água caía, as mãos grandes dele — que dominavam guidões pesados com maestria — exploravam o corpo dela com uma delicadeza exclusiva. O sexo era lento, uma dança de pele quente e olhares fixos. Ele a prendia contra o mármore com a possessividade de quem cuida de um tesouro.

Depois, a rotina de “time” funcionava em sintonia. Enquanto vestiam as roupas de treino, Raline preparava a vitamina de whey. Ele se aproximava por trás, roubando um gole e dando um tapa leve e carinhoso, aquele jeito de “bruto apaixonado” que só ele tinha. Ele era grosso com o mundo, mas para ela, era puro mel.

Capítulo 2: O Presente e o Contraste

Ao meio-dia, o ronco grave da moto de Alisson ecoou na rua. Ele chegou de surpresa para o almoço, trazendo comida para viagem apenas para não ter que dividir a atenção de Raline com ninguém em um restaurante.

— Vem cá, amor — ele disse, a voz rouca desarmando qualquer cansaço dela.

Ele a sentou no balcão da cozinha que ela havia acabado de limpar. Alisson a admirava: a esposa troféu que, com a mesma elegância, cuidava do castelo deles. Antes de voltar para o trabalho, ele tirou uma caixinha do bolso da jaqueta: um bracelete de prata.

— Lembrei de você na hora, amor. Você é a única coisa que me mantém no eixo.

Raline o acompanhou até o portão, recebendo um beijo possessivo diante da vizinhança antes de vê-lo sumir no horizonte. Mas, enquanto a Raline do sol sorria, algo sombrio acontecia em outra dobra do tempo.

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Que dia ❤️‍🔥

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A Lagoa do Ídolo de Pedra: Um Conto de Suspense e Exploração (E-book Kindle)

Sinopse: Cinco sobreviventes de um naufrágio vão parar em uma ilha no meio do nada. Confiantes por terem conseguido escapar num bote salva-vidas com bastante água, comida e algumas armas eles decidem deixar as areias da praia e adentrar as densas matas da ilha numa missão de reconhecimento.A medida que avançam a vegetação vai se tornando menos densa até se depararem com uma clareira perfeitamente…

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Manhã de sexta.

Aperto o botão do elevador e observo meu reflexo no espelho. Antes que as portas se fechem, um braço as segura.

— Bom dia.

A voz é inconfundível.

O coordenador gato do escritório entra, e só o timbre grave dele já provoca um arrepio involuntário na minha pele. Ele sempre foi simpático — respeitoso até demais — e talvez fosse isso que tornasse meus pensamentos tão perigosos e ousados a seu respeito. Eu nunca ousei deixar nada transparecer.

Mas aquela sexta parecia diferente.

Desço para buscar meu café e, como se o destino estivesse conspirando, ele se oferece para acompanhar. Voltamos sozinhos para a cozinha do escritório.

Ele passa por trás de mim, perto demais.

— Seu perfume é muito bom.

Meu coração dispara. Devagar, afasto o cabelo para o lado, expondo o pescoço.

— Sente mais de perto.

Ele não hesita.

O corpo dele encosta no meu. A respiração quente roça minha pele, e por um segundo o mundo inteiro desaparece. Sinto o arrepio subir pela espinha. Ele se afasta abruptamente, como se tivesse cruzado uma linha invisível.

O dia se arrasta.

Na hora do almoço, meu celular vibra.

Banheiro no final do corredor à esquerda. Conta cinco minutos e vai primeiro. Já chego.

Minhas mãos tremem.

Obedeço.

Quando a porta se fecha atrás dele, não há mais espaço para dúvidas. O beijo vem intenso, urgente, como se estivéssemos segurando aquilo há meses. Os braços dele me puxam com firmeza, minhas mãos encontram o corpo dele e a tensão acumulada finalmente ganha forma.

Mas o risco nos envolve. A proximidade da sala da gerência nos faz recuar antes que a imprudência nos denuncie.

Eu saio primeiro. Ele depois.

E o restante do dia vira tortura.

Às 16h, outra mensagem.

16:30. Último andar. Sala de máquinas.

Às 16:25 estou no elevador. 13º andar. Dois lances de escada até o local combinado. Minhas pernas tremem mais pela expectativa do que pelo esforço.

Ele está me esperando nos últimos degraus.

Quando nos tocamos, já não existe delicadeza — apenas desejo acumulado. O beijo é faminto. As mãos exploram, descobrem, apertam. O ar fica pesado, carregado de respiração e urgência.

Cada toque parece eletrizar a pele. Cada suspiro alimenta o próximo movimento.

Ele me conduz contra a parede fria. Minha cabeça gira. O risco, a altura, o silêncio do prédio quase vazio — tudo intensifica.

Quando finalmente nos entregamos um ao outro, é como atravessar um limite sem volta. O mundo reduz-se ao calor dos corpos, ao ritmo acelerado, aos gemidos abafados entre beijos.

Os beijos começam parecer pouco, o desejo aumenta a cada minuto.

Minhas mãos descem até a calça dele e sinto que esta duro — latejando — e isso me faz ficar com um desejo incontrolável.

Minha mão desliza pelo cinto dele e desço lentamente, olhando nos olhos dele — eles imploram que eu continue.
Abro o cinto com facilidade, abro a calça e ele me observa, como quem precisa disso pra viver.

Meus lábios tocam aquele pau — esta todo molhado — assim que coloco na boca sinto suas pernas estremecerem e um gemido delicioso me afeta, lambo — chupo — engulo tudo.

Ele segura meus cabelos e me levanta, beija minha boca enquanto levanta minha blusa, nem hesito pois quero isso mais que tudo.

Suas mãos descem para minha calça enquanto sua língua contorna meus mamilos — estão durinhos pelo tesão que ele me causa.

Ele me abaixa para que eu fique de 4 e desce alguns degraus da escada e então seus lábios tocam os meus, ele me chupa com urgência, com vontade, como se meu mel que escorria fosse sua comida preferida.

Após uns minutos já estou implorando para que ele esteja dentro de mim.

Entre estocadas ele precisa abafar meus gemidos, pois já não consigo mais controlar.

Sua barba roça nas minhas costas enquanto eu estou me contorcendo e então sinto escorrer minhas pernas estão totalmente molhadas.

Um tremor compartilhado. Uma respiração que demora a se acalmar.

Quando nossos corpos finalmente desaceleraram e a respiração voltou ao ritmo normal, ele olhou para a própria camiseta encharcada e depois para mim.

Não disse nada.

Mas o sorriso de canto de boca entregava tudo.

Eu tinha deixado minha marca nele.

Ele passou a mão pela barra da camisa, aproximou o rosto do meu e sussurrou, com a voz ainda rouca:

— Você não faz ideia do que acabou de começar.

Minhas pernas ainda estavam trêmulas quando desci as escadas. Cada passo era uma lembrança do que tinha acontecido ali. Meu corpo inteiro pulsava — sensível, desperto, faminto por mais.

Voltei para minha mesa como se nada tivesse acontecido. Postura impecável. Olhar sereno. Mas por dentro, eu queimava.

Ele passou por mim minutos depois. Não tocou. Não falou nada.

Apenas aquele olhar.

Agora eu trabalho com o celular ao lado, tela virada para cima, esperando a próxima vibração.

Esperando a próxima ordem.

E, no fundo, desejando obedecer cada uma delas.

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Próximo lançamento!

LIVRO “ANTES DE TUDO” (contos, 112 páginas),
Autora Carla Gattoni Saukas
Ilustrado por Isadora Weber Medrado
Projeto gráfico de Tina Merz
Editora Micronotas, Joinville, 2026

+ Nove histórias que se passam antes de outras histórias

“Antes de Tudo”, o primeiro livro de contos da jornalista e escritora Carla Gattoni Saukas, traz nove fabulações breves. Todas elas são histórias que se passam antes de histórias bem conhecidas - seja Alice No País das Maravilhas, Romeu e Julieta ou Peter Pan, ou contos de fadas como Rapunzel, João e Maria, Chapeuzinho Vermelho e Bela Adormecida. Na orelha, Maria Amália Camargo apresenta a obra:

Tal qual Sherazade — a princesa das Mil e Uma Noites que emendava uma narrativa na outra — Carla Saukas encanta o leitor, transportando-o aos bastidores dos contos de fadas e de um clássico da literatura universal. Aqui, os holofotes são desviados dos personagens principais e voltados para o protagonismo dos figurantes, para as memórias de um objeto inanimado ou para um estranho sentimento despertado por bruxas e vilões: a empatia. Depois de tudo, será impossível lê-los com os mesmos olhos.

Com 112 páginas, o livro Antes de Tudo é ilustrado delicadamente pela artista Isadora Weber Medrado, que para a Micronotas já havia ilustrado a coleção de folhetos-poemas de Emily Dickinson, traduzidos por Katherine Funke, do livro de poesia Pedra poro pele, de Cecília Takayama Koerich, entre outras publicações.

SOBRE A AUTORA

Era uma vez uma paulista que cresceu ouvindo histórias de fadas que sua avó Marina contava para ela.

Ao longo da vida, continuou gostando tanto de histórias que, além de ler e ouvir, passou a contá-las.

Essa menina se formou em Letras Português-Francês pela USP e em Jornalismo pela PUC-SP. Trabalhou muito com as histórias dos outros, revisando-as, adaptando-as e traduzindo-as, e com as suas próprias, escrevendo-as e ministrando oficinas de escrita.

Assim, redigiu os boletins da APFESP e trabalhou para o MEC, o Sesc, a revista L’Officiel Brasil e a editora La Fonte, entre outros.

Em 2021 adotou uma nova cidade – Joinville – , onde continua aprendendo e ouvindo novas histórias.

Há 30 anos achou seu príncipe encantado e juntos criam dois meninos, um jardim e um vira lata.

LANÇAMENTO EM JOINVILLE
O quê: lançamento do livro “Antes de Tudo”, de Carla Gattoni Saukas
Quando: 21 de março de 2026, a partir das 16h.
Onde: Literarium - Livraria, Café e Bar - Rua Sete de Setembro, 178
Centro Joinville, SC

LANÇAMENTO EM SÃO PAULO
Quando: 12 abril, a partir das 15h.
Onde: Livraria Martins Fontes - Av. Paulista, 509 (próx. Estação Brigadeiro do Metrô). São Paulo, SP

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autorismaelfaria
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Era mais uma viagem de negócios. Mais uma oportunidade que não bate a porta duas vezes. E lá fui eu, encontrar mais um possível parceiro de negócios. Fui para o Rio de Janeiro, uma viagem ligeira e sem grandes contratempos.

Cheguei ao hotel com a cabeça cheia de números, prazos e reuniões que ainda nem tinham acontecido. Viagem de negócios costuma ter esse efeito: a gente atravessa o lobby como quem atravessa um corredor de pensamentos, automático, atento apenas ao relógio e ao próximo compromisso.

Foi então que vi Cláudia.

Ela não deveria estar ali. Pelo menos, não era o nome que eu esperava encontrar. Soube depois — quase como um detalhe técnico — que assumira a viagem por motivos de saúde de quem viria no lugar dela. Mas nada naquele instante parecia técnico. Tudo nela era presença.

O vestido vermelho era um aviso silencioso. Não gritava, não implorava atenção. Apenas estava ali, justo o suficiente para desenhar o corpo, elegante o bastante para não pedir desculpas. O tecido acompanhava cada movimento com uma naturalidade perigosa, como se soubesse exatamente o efeito que causava.

O hall do hotel parecia grande demais e, ao mesmo tempo, pequeno demais para aquela coincidência. Mármore frio sob os pés, luz baixa refletindo em superfícies polidas, o som distante de conversas que não nos incluíam. Quando nossos olhares se encontraram, o espaço entre nós encolheu.

Ela sorriu primeiro. Um sorriso breve, controlado. Profissional, eu pensei. Até perceber que os olhos demoraram um segundo a mais do que deveriam.

— Diego? — disse ela, aproximando-se.

A voz era firme, mas havia algo ali… uma curva invisível, como se cada palavra escolhesse onde tocar antes de chegar a mim. Estendi a mão. O gesto mais simples do mundo. Ainda assim, quando os dedos dela encontraram os meus, o aperto foi seguro demais para ser apenas cordial.

Sentamos em uma das áreas reservadas do hall, mesas baixas, poltronas confortáveis demais para uma conversa que deveria ser objetiva. O tipo de ambiente que convida à permanência. Cláudia cruzou as pernas com naturalidade, o vermelho do vestido contrastando com os tons sóbrios do hotel — e com o cinza do meu terno.

Abri o notebook mais para me proteger do que por necessidade.

— Antes de mais nada — comecei —, espero que esteja tudo bem com o Ricardo. Fui informado da substituição só ontem à noite.

Ela assentiu, apoiando o antebraço no encosto da poltrona.

— Nada grave, felizmente. Mas a negociação não podia esperar. — fez uma pausa curta, calculada. — E eu acompanho esse projeto desde o início.

Aquilo me tranquilizou. Pelo menos em teoria.

— Ótimo. Então você já conhece a estrutura da nossa proposta — disse, deslizando a tela em sua direção. — A Conecta Soluções entra como fornecedora principal de infraestrutura em nuvem, segurança e suporte contínuo.

Cláudia inclinou-se levemente para frente para observar melhor. O perfume dela chegou antes da resposta. Discreto. Quente demais para um ambiente corporativo.

— Conheço — respondeu. — E é exatamente por isso que a Grupo Valentin está aqui. Precisamos de um parceiro que não apenas entregue tecnologia, mas acompanhe crescimento. Escala. Confiança.

Confiança. A palavra ecoou de um jeito estranho.

— Nosso diferencial está no suporte dedicado — expliquei. — Não vendemos pacote fechado. Adaptamos conforme a necessidade do cliente.

Ela ergueu o olhar da tela direto para mim.

— E como você lida com mudanças inesperadas, Diego? — perguntou, num tom neutro demais para ser inocente.

Engoli em seco. Mantive o sorriso profissional.

— Faz parte do trabalho. Ajustar rápido. Manter o controle.

Cláudia sorriu de canto.

— Gosto disso.

Silêncio. Curto. Denso.

Ela voltou aos números, fez perguntas precisas, técnicas. Segurança da informação, redundância, prazos de implantação. Eu respondia com segurança — era o meu território. Ainda assim, havia algo deslocado naquela conversa. Como se, por baixo das palavras, outra negociação estivesse acontecendo.

— Os termos são bons — disse ela, fechando o notebook. — Acredito que conseguimos avançar para a minuta final ainda hoje.

— Fico satisfeito em ouvir isso.

Ela se levantou primeiro. O movimento foi simples, mas fez o espaço parecer menor. Ajustou o vestido com um gesto rápido e estendeu a mão outra vez.

— Que tal continuarmos isso depois? — sugeriu. — Com mais calma. Talvez… em um lugar menos movimentado.

Segurei a mão dela por um segundo a mais do que o necessário.

— Acho uma ótima ideia.

Enquanto a observava se afastar em direção aos elevadores, tive certeza de duas coisas:
o contrato estava praticamente fechado —
e aquela tensão, vestida de vermelho, estava só começando.

O elevador chegou com um aviso discreto, quase respeitoso. As portas se abriram e, por um instante, pensei em deixá-la entrar primeiro apenas por educação. Mas havia algo no modo como Cláudia parou ao meu lado que eliminava qualquer formalidade automática.

Entramos.

O espaço se fechou atrás de nós com um som suave demais para o impacto que causou. Espelhos nas paredes, luz amarelada no teto, o silêncio quebrado apenas pelo leve zumbido da subida. Ela ficou à minha frente, próxima o suficiente para que eu percebesse o calor do corpo, o perfume agora mais presente, menos contido.

Cláudia apertou o botão do andar sem me perguntar. Um gesto simples. Seguro. Como quem já sabia a resposta.

— Costuma misturar trabalho com… circunstâncias inesperadas? — perguntou, sem me olhar diretamente.

Observei o reflexo dela no espelho. O vestido vermelho parecia ainda mais intenso ali dentro, cercado por aço e vidro.

— Não é um hábito — respondi. — Mas confesso que algumas exceções testam a disciplina.

Ela sorriu, dessa vez sem tentar disfarçar.

— Disciplina é importante — disse. — Mas rigidez excessiva costuma quebrar.

O elevador passou por um andar. Outro. O espaço parecia diminuir a cada número que subia. Meu braço roçou de leve no dela quando o elevador fez um pequeno solavanco. Nada que justificasse um pedido de desculpas. Nada que fosse totalmente acidental.

Ela virou o rosto um pouco, o suficiente para me encarar de verdade.

— Se isso ultrapassar algum limite profissional — murmurou —, diga agora.

Olhei para ela. Para o vermelho. Para a calma calculada que escondia algo bem menos controlado.

— Ainda estamos dentro do aceitável — respondi. — Pelo menos… tecnicamente.

Cláudia soltou uma breve risada baixa, quase um sopro.

O elevador desacelerou. As portas prestes a se abrir. Aquela fração de segundo em que o tempo parece perguntar o que vai acontecer depois.

Antes que se abrissem por completo, ela se aproximou um pouco mais. Não tocou. Não precisou.

— Então vamos continuar — disse, em voz baixa. — A negociação.

As portas se abriram. O corredor surgiu à nossa frente. E eu soube, com a certeza desconfortável de quem já perdeu o controle, que aquela conversa estava longe de terminar — e que o vermelho não sairia da minha mente tão cedo.

O corredor estava silencioso demais para um hotel daquele porte. Carpete macio, luz baixa, portas alinhadas como se guardassem segredos idênticos. As portas do elevador se fecharam atrás de nós, e foi ali que a presença de Cláudia deixou de ser apenas percebida — passou a ser sentida.

Caminhamos lado a lado. Nenhum toque deliberado. Ainda assim, nossos passos entraram no mesmo ritmo, como se o corpo tivesse decidido antes da razão. O vermelho do vestido seguia à minha esquerda, refletido de leve nas paredes claras. Eu mantinha o olhar à frente, mas a atenção inteira estava nela.

— Aqui — disse Cláudia, parando diante de uma das portas.

O cartão surgiu entre os dedos com calma excessiva. Ela não se virou de imediato. Apenas ficou ali, próxima demais. O corredor parecia ter encolhido, comprimindo o ar entre nós.

— Sobre o contrato — comecei, numa tentativa quase honesta de manter algo no lugar.

Ela girou o corpo devagar, encostando-se à porta sem pressa. Os olhos encontraram os meus com uma firmeza que não pedia mais explicações.

— A parte técnica está resolvida — respondeu. — Agora… é o resto.

O cartão deslizou pela fechadura com um bip baixo. A porta destravou, mas ela não entrou. Ficou ali, segurando a maçaneta, como se aquele gesto fosse o último limite formal entre nós.

Aproximei-me um passo. Depois outro. O perfume dela envolveu tudo. Não havia mais espaço para fingir que aquilo era apenas circunstância.

— Cláudia… — murmurei, sem saber exatamente o que vinha depois do nome.

Ela ergueu o rosto, o vermelho agora a poucos centímetros de mim.

— Diego — respondeu, no mesmo tom baixo.

Não houve pressa. O beijo não aconteceu de imediato. Primeiro, a pausa. O instante em que ambos sabem — e aceitam. Quando aconteceu, foi contido, firme, preciso. Um beijo que não explorava, mas prometia. Os lábios se encontraram como se já se conhecessem, como se aquela tensão tivesse sido ensaiada desde o hall.

Foi breve. Intenso o suficiente para mudar tudo.

Quando nos afastamos, ela ainda estava encostada à porta, respirando devagar. Eu também.

— Acho — disse ela, com um leve sorriso — que ultrapassamos a fase de negociação preliminar.

Sorri de volta, consciente de que aquela viagem tinha acabado de ganhar um outro tipo de contrato.

A pressão dos dedos de Cláudia na minha mão era firme, um convite inegável que não deixava espaço para hesitação. O som das minhas botas altas ecoava suavemente no corredor de madeira polida, misturando-se ao silêncio pesado que pairava entre nós.

Cada passo era um avanço rumo ao desconhecido, à antessala de um desejo que vinha fervendo durante toda a noite. A luz do quarto à frente derramava-se pelo chão, um retângulo dourado que parecia pulsar com vida própria.

Ela parou à porta, a silhueta emoldurando a entrada. Por um momento, não fez nada. Apenas ficou ali, olhando para mim por cima do ombro. O vestido vermelho parecia ainda mais vibrante sob a luz quente do quarto, colando-se às curvas de um modo ao mesmo tempo elegante e provocador.

O perfume dela — uma mistura de jasmim e algo mais profundo, quase animal — envolveu-me quando se virou lentamente.

Com um movimento que era ao mesmo tempo delicado e decidido, Cláudia virou-se completamente, ficando de costas para mim. O cabelo preto e sedoso caía-lhe pelas costas, deixando a nuca e a parte superior expostas.

A mão subiu até encontrar o pequeno puxador metálico do zíper na parte de trás do vestido. Não o puxou. Em vez disso, com os dedos ainda ali, lançou-me outro olhar por cima do ombro — um desafio silencioso, uma pergunta sem palavras.

Meu coração martelava contra as costelas, num ritmo rápido e insistente que ressoava nos ouvidos. Dei um passo à frente, fechando a distância entre nós. O ar estava espesso, eletrizado. Minha mão, trêmula, encontrou a dela no zíper. A pele era quente. Senti o frio do metal sob os dedos.

Lentamente, comecei a puxar. O som do zíper descendo foi agudo e decisivo, cortando o silêncio do quarto. À medida que o metal cedia, o tecido vermelho se abria, revelando a pele clara e impecável das costas dela. Centímetro por centímetro, o vestido se rendia, expondo a linha elegante da coluna, o sulco suave acima dos quadris. Parei quando o zíper chegou ao fim, na base da espinha.

Cláudia não precisou de mais. Livrou-se do vestido com um encolher de ombros, e a seda vermelha deslizou pelo corpo, prendendo-se por um instante nos quadris antes de cair, silenciosa, aos pés dela.

Fiquei sem fôlego.

Diante de mim, Cláudia vestia apenas lingerie preta: um sutiã de renda que mal continha os seios fartos e uma tanga mínima que realçava o contorno perfeito do corpo. A luz do quarto refletia na pele, dando-lhe um aspecto quase escultórico, feito de marfim e sombra.

Ela permaneceu de costas, concedendo-me tempo. Um poder deliberado, uma exibição consciente que excitava mais do que qualquer toque.

Então, virou-se.

O impacto foi imediato. O corpo dela se revelava por inteiro: os seios pressionados pela renda, o abdômen liso, as pernas longas terminando em pés descalços sobre o chão quente.

Ela deu um passo em minha direção, o movimento fluido, quase predatório. A mão subiu e pousou suavemente no meu peito, sentindo o ritmo acelerado do meu coração sob a camisa.

— Está nervoso? — perguntou, num sussurro rouco.

Não consegui responder. Apenas assenti.

Cláudia sorriu, lenta e satisfeita. Os dedos desceram até os botões da minha camisa e começaram a abri-los, um a um, com uma calma torturante. A cada botão solto, mais pele ficava exposta ao ar fresco do quarto. A mão deslizou para dentro, a palma quente arrancando-me um estremecimento.

— Gosto disso — murmurou, sem desviar o olhar. — Gosto de sentir o poder que tenho sobre um homem.

Quando a camisa caiu no chão, os dedos dela foram até o cinto das minhas calças. O som da fivela se abrindo ecoou alto demais no silêncio. Ao desabotoá-las, a mão roçou onde eu já não conseguia disfarçar o desejo.

Ela brincava comigo. Saboreava cada reação, prolongando a tensão.

As calças deslizaram para o chão. Permaneci ali, à espera do próximo movimento. O olhar de Cláudia desceu, atento, avaliador. Ela umedeceu os lábios num gesto lento e deliberado, e uma onda de calor percorreu meu corpo inteiro.

— Deixa eu ver — ordenou suavemente.

Não hesitei.

Não houve mais palavras. O que vinha depois já estava decidido havia tempo demais para ser negado agora. O quarto pareceu fechar-se ao nosso redor, como se o mundo tivesse sido deixado do lado de fora junto com qualquer pretensão de controle.

Cláudia aproximou-se uma última vez, o olhar firme, satisfeito — e então tudo se moveu rápido demais para ser pensado. O resto não pediu descrição; pediu entrega. O tempo perdeu contornos, e o silêncio foi substituído por uma respiração que não obedecia mais à razão.

Quando a madrugada enfim se impôs, não havia dúvida: algo tinha sido atravessado ali. Não apenas um limite físico, mas um acordo tácito — intenso, irreversível.

Ela não precisou dizer para onde íamos. O gesto foi suficiente. A mão firme no meu pulso, o corpo guiando o meu com uma naturalidade que dispensava qualquer resistência. A cama surgiu como destino inevitável, ampla, silenciosa, à espera.

Quando caímos sobre os lençóis, não houve pressa. Cláudia manteve o controle até no modo de se aproximar, como se cada movimento tivesse sido ensaiado apenas para testar meus limites. O mundo reduziu-se àquele espaço: o calor, o peso dos corpos, a respiração que já não obedecia a nenhuma lógica civilizada.

Ali, todas as fantasias encontraram permissão.

Não porque foram ditas — mas porque foram reconhecidas. No toque que não pedia, apenas tomava. No olhar que não perguntava, apenas exigia. Na certeza desconcertante de que não havia mais papéis a sustentar, apenas vontades a cumprir.

A cama deixou de ser lugar e tornou-se território.

E, naquele território, nada precisou ser explicado. Tudo aconteceu no ritmo exato entre o desejo e a rendição, até que o tempo, vencido, desistiu de contar.

A cama nos recebeu sem urgência, mas nada em mim estava calmo. Os lençóis claros contrastavam com o que se instalava dentro do quarto — e dentro de mim — como se aquele espaço limpo estivesse prestes a ser marcado por algo que não se apaga com facilidade.

Cláudia não se deitou de imediato. Vi quando se ajoelhou sobre o colchão, observando-me de cima. A luz suave do abajur desenhava o corpo dela, e havia atenção em cada gesto, como se estivesse decidindo não o que fazer, mas quando. Aquela espera calculada fazia parte do jogo, e eu sentia isso com clareza desconfortável.

Quando finalmente se aproximou, o contato foi lento, estudado. Não buscava alívio. Buscava reação. Cada toque parecia existir para me arrancar uma resposta, para medir meu fôlego, para descobrir onde meu controle começava a falhar. E falhava. Eu sentia quando falhava.

O sexo ali não era pressa nem descarga. Era construção. Camadas que se acumulavam, respirações que se ajustavam uma à outra, movimentos que aprendiam o ritmo antes de se aprofundarem. Havia momentos em que eu me sentia completamente conduzido, seguidos de outros em que a entrega se tornava mútua, quase perigosa.

Cláudia sabia alternar. Eu percebia quando ela assumia o comando — e quando, deliberadamente, me permitia avançar. Isso tornava tudo mais intenso, porque nada era previsível. O prazer não vinha apenas do toque, mas da consciência clara de estar sendo desejado, observado, conduzido.

O tempo se dissolveu em fragmentos: calor, pressão, suspiros contidos, pausas longas demais para serem acidentais. Meu corpo respondia, mas era a mente que queimava primeiro.

Quando o ápice veio, não foi explosão. Foi rendição. Um instante suspenso em que tudo pareceu se alinhar antes de ceder. Depois, apenas a respiração desacelerando, os corpos ainda próximos, como se nos afastarmos fosse uma decisão a ser adiada.

Cláudia permaneceu ali por um momento, a testa apoiada na minha. Eu sentia o peso dela, o calor, a presença. Não havia triunfo naquele silêncio. Havia satisfação — e isso me pareceu muito mais perigoso.

Autor Ismael Faria
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS
LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.

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steady-aswego
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Ela se prostou e ficou esperando suas ordens.

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diariodeleituras
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…quanto mais pessoas se encontravam aglomeradas em um mesmo lugar, mais tristes e solitárias eram suas vidas.

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diariodeleituras
diariodeleituras

A vida nem sempre desperta nossos sentidos; ela também os adormece. As pessoas mais vivas nem sempre são as mais despertas; muitas vezes, são as mais convictas em seu sono. Assim como a morte mergulha em um sono irresistível aquele que está morrendo de frio, também a vida tenta adormecer os vivos.

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diariodeleituras
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Talvez a única força que nos salva da loucura seja a nossa impossibilidade de entendê-la.

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jjhovanaa
jjhovanaa

Soaram duas batidas na porta. O rapaz busca a máscara que a Rainha havia entregado alguns dias antes, veste e a sente pesada. O peso não era físico, no entanto.

“Pode entrar.”

“Com licença,” um homem de terno e sapatos vinho entra, “Príncipe Abel, hoje há o check-up de saúde agendado apenas, e as demais atividades permanecem suspensas pela autoridade da Rainha, até segunda ordem,” o mordomo diz se curvando.

Walter, o mordomo, usava sapatos vinho.

Amon não repara, mas Abel teria comentado.

“Está bem Walter, eu não consigo fazer nada do que costumava mesmo. O Dr. Carlos virá quando? Minha mãe o acompanhará?” Questiona e desvia o olhar para o peso de papel na escrivaninha.

‘Walter está triste.’

O mordomo não demonstra, mas Amon sente.

‘Eu fiz algo que o chateou?’

[…]

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umolhardoparaiso
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Meus contos! My stories! Contos de um artista! Tales from an artist!

Olá a todos! Não conhecem ainda meus contos? De conto fofo a conto quente adulto! Todas as capas sou eu mesmo nas capas, em diversas situações! Escrevo para me libertar! Como o TUMBLR limita a 30 imagens por postagem, coloquei aqui somente algumas das capas dos meus mais de 30 contos em meu blog, visitem, baixem os PDFs e viagem comigo, irão gostar super, CONTOS pensando em você:

Contos de um artista: http://contosdeumartista.blogspot.com/

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Sujamos a Crente Inteira - Parte 1


Depois do acampamento com a galera da igreja, comecei a me enturmar de verdade e passei a frequentar as reuniões do culto de jovens com mais assiduidade.


Até que eu gostava. Estava me adaptando ao estilo do grupo e percebendo que eles não eram nem um pouco tão inocentes quanto eu imaginava.


Os caras demonstravam um interesse descarado nas meninas e viviam fofocando pelos cantos.


“Aquela ali só tem cara de santa. Já bateu uma punheta pra mim e deixou eu gozar bem nos peitos dela”, Diego apontou para Isabele — uma garota bem gostosinha, com cara de safada e olhar meio distante.



Eu sabia que com ela eu não tinha a menor chance. Diego era bonito pra caralho, as meninas sempre babavam nele. Eu não fazia esse estilo: cabeça raspada na zero, tatuagens espalhadas pelo corpo… a maioria das garotas se afastava só de olhar.


“Vocês só vêm na igreja pra isso, né?”, provoquei, querendo saber mais.


Todos deram risada e mudaram de assunto na hora. Mas, a cada domingo que passava, eu descobria mais podridão sobre aquele pessoal.


Leonardo, o filho do pastor, estava comendo Kelly com frequência. Kelly era outra que tinha cara de anjo: óculos de grau de armação fina (estilo nerd certinha), cabelos longos e lisos caindo pelas costas, vestidos sempre impecáveis, justos na medida certa. Mas o que ninguém conseguia ignorar era o corpo dela por baixo daquela roupa de “moça de igreja”.


Os seios eram grandes, redondos, empinados — do tipo que esticava o tecido do vestido e marcava os bicos quando estava mais frio ou quando ela se mexia rápido demais.


E a buceta… puta merda, a buceta dela parecia desenhada no vestido. O tecido fino e levemente elástico colava na virilha, delineando os lábios grossos e carnudos de um jeito quase obsceno.


Quando ela andava de salto alto, a bunda redonda balançava e o vestido subia um pouco, marcando ainda mais aquela fenda profunda entre as coxas. Todo mundo via. Homens casados coçavam o pau disfarçadamente quando ela passava, e as esposas ficavam vermelhas de ciúmes.


Kelly sabia exatamente o poder que tinha. Passava rebolando sutilmente, fingindo que não percebia os olhares.


Eu não vou mentir: já bati várias punhetas pensando nela. Imaginava ela de joelhos, chupando aqueles falsos crentes que só pensavam em buceta e cachaça escondido. A curiosidade foi crescendo, assim como as perguntas.


“Vocês acham que ela ficaria com um cara como eu?”, perguntei para Diego e Leonardo enquanto conversávamos depois do futebol.


Diego deu uma gargalhada.


“Aquela ali só quer saber de rola, meu irmão. Pra você ter ideia, já comemos ela juntos.”


Leonardo fez cara feia na hora, claramente puto que o Diego estava o expondo assim.


“Esse assunto não sai daqui”, ele cortou, sério.


Mas a imagem já tinha se formado na minha cabeça: Kelly de quatro, os óculos embaçados, os seios balançando pesados pra fora do decote, a boca cheia de duas rolas ao mesmo tempo, babando, gemendo baixinho como quem reza. Meu pau pulsou forte dentro da bermuda só de imaginar.


“Se você quiser, a gente pode arrumar uma maneira de vocês se conhecerem melhor”, Leonardo falou, agora com um tom mais calculado.


Diego completou, com aquele sorriso de quem já sabe o final da história:


“Temos um método infalível.”


Naquela noite de culto de jovens, Diego e Leonardo já tinham tudo armado. Depois da oração final e do lanche comunitário, Leonardo chamou a galera para “uma reunião rápida de planejamento do próximo acampamento” na salinha dos fundos da igreja — um quartinho pequeno, usado para guardar Bíblias velhas e cadeiras extras. Kelly, como sempre, se ofereceu para ajudar a arrumar.


Ela estava particularmente gostosa naquele dia: vestido soltinho de algodão floral (o tipo “moça de igreja” que abraça o corpo sem parecer pecado), mas justo o suficiente para marcar tudo. Os seios pesados empurravam o tecido na frente, os bicos endurecendo levemente com o ar fresco da noite. A bucetona carnuda se delineava na virilha toda vez que ela se abaixava para pegar algo — Os cabelos longos soltos caíam pelas costas como uma cascata preta, e em vez dos saltos habituais, ela usava sandálias rasteirinhas de couro que deixavam os pés delicados à mostra, unhas pintadas de vermelho discreto. Óculos de armação fina completavam o visual de crente inocente que me deixava louco.



Diego inventou uma desculpa qualquer para sair correndo “buscar água”, Leonardo “foi ver se o pai precisava de ajuda na saída”. Em menos de dois minutos, a salinha ficou vazia… exceto pela minha presença e a de Kelly.


Ela parou de arrumar as cadeiras e virou pra mim, cruzando os braços debaixo dos peitos (o que só os levantou mais).


“Eu sei que isso foi armadilha dos dois”, disse ela, com um sorrisinho malicioso nos lábios. “Diego e Leonardo acham que eu sou burra? Eles me jogaram aqui com você de propósito.”


Meu coração disparou. Eu fiquei parado ali, nervoso pra caralho, mãos suando, pau já meia-bomba na calça só de estar tão perto dela. Não sabia o que dizer. Ela percebeu na hora — o jeito que eu engolia seco, o olhar desviando pros peitos dela e voltando pro chão.


Kelly deu uma risadinha baixa, quase carinhosa.


“Relaxa, grandão. Você tá parecendo que vai explodir.”


Antes que eu pudesse responder, ela se aproximou devagar, sandálias fazendo um barulhinho suave no piso. Parou bem na minha frente, olhou nos meus olhos por trás dos óculos… e então se ajoelhou devagar, sem pressa.


Pela fresta da janela lateral (onde a cortina estava mal fechada), Diego e Leonardo espiavam tudo. Coçando o pau disfarçadamente enquanto assistiam.


Kelly abriu meu zíper com calma, puxou a cueca pra baixo e meu pau grosso e veiudo saltou pra fora, já latejando. Ela arregalou os olhos um segundo, depois sorriu — um sorriso largo, safado, de quem gostou do que viu.


“Olha só… você escondeu bem isso aí”, murmurou, lambendo os lábios.


Ela envolveu a base com a mãozinha delicada e começou a chupar devagar no começo — língua rodando na cabeça, descendo pelas veias grossas, lambendo tudo com vontade. Eu não estava acostumado com isso. Nenhuma mina nunca tinha me dado um boquete assim, com tanto capricho. Segurei firme, tentando não gozar rápido, mas ela não facilitava.


Kelly aumentava o ritmo aos poucos: sugava mais forte, engolia mais fundo, os óculos embaçando com a respiração quente. O cabelo solto balançava pra frente e pra trás, caindo no rosto dela. E o tempo todo, aquele sorriso safado no rosto — olhos semicerrados de prazer, como se chupar minha rola fosse a melhor coisa do mundo. Ela gemia baixinho, vibrando no pau, e babava bastante, deixando tudo molhado e brilhando.


Diego e Leonardo mal piscavam. Diego já tinha a mão dentro da calça, se masturbando devagar. Leonardo respirava pesado, apertando o pau por cima do tecido.


Eu aguentei o que deu. Mas Kelly não parava — acelerou ainda mais, cabeça subindo e descendo rápido, mão girando na base, outra apertando minhas bolas. O som molhado enchia o quartinho.


“Porra… Kelly… eu vou…”, gemi, tentando avisar.


Ela não tirou a boca. Pelo contrário: enfiou tudo até a garganta e ficou ali, sugando forte.


Explodi. Gozei como nunca — jatos grossos, quentes, intermináveis. O primeiro acertou direto na boca dela, ela engoliu rápido. O segundo e terceiro saíram com tanta força que escorreram pelos cantos da boca, pingando no queixo, no pescoço, molhando o decote do vestido. Mais veio, sujando os óculos, o cabelo solto, os peitos enormes que balançavam com o movimento. Era muito gozo — mais do que ela já tinha visto na vida, dava pra perceber pela cara de choque e deleite misturados.


Kelly tirou a boca devagar, ainda lambendo a cabeça pra limpar o resto. Engoliu o que pôde, limpou o queixo com o dedo e levou pra boca, saboreando. Olhou pra cima, pro meu rosto, com os óculos embaçados e sujos de porra, o vestido manchado, o cabelo grudado na pele molhada.


E sorriu de novo — um sorriso deslumbrado, quase apaixonado. Os olhos brilhavam de um jeito diferente. Ela nunca tinha visto um cara gozar tanto, e aquilo a deixou louca de tesão.


Eu percebi na hora. Aquele olhar não era só safadeza. Era interesse de verdade. Ela queria mais. Muito mais.


Do lado de fora, Diego e Leonardo trocaram um olhar cúmplice, as calças marcadas de tanto tesão acumulado. O plano tinha dado certo… mas talvez mais do que eles esperavam.


Kelly se levantou devagar, ainda lambendo os lábios.


“Da próxima vez… sem armadilha. Só você e eu”, sussurrou, antes de ajeitar o vestido e sair como se nada tivesse acontecido.


Eu fiquei ali, pau ainda semi-duro, coração na boca, sabendo que aquilo era apenas o começo.


Os planos de Kelly não deram certo. Ela queria me ter só pra ela, sem plateia, mas em menos de uma semana lá estávamos nós quatro de novo na salinha dos fundos da igreja, depois do culto de jovens. Porta trancada, luz baixa, Bíblia velha em cima da mesa servindo de apoio pra cerveja que Diego tinha escondido.


Diego e Leonardo já chegaram com aquele sorrisinho de quem planejaram tudo.


“Olha só, o filho do pastor trouxe a ovelhinha de volta pro redil”, Diego zoou, dando um tapa nas costas de Leonardo.


Leonardo, com aquela arrogância típica de quem sabe que o pai manda na igreja toda, deu de ombros e falou:


“Meu pai tá lá fora rezando com os velhos. Aqui dentro a gente reza de outro jeito. E hoje a oração vai ser em grupo.”


Kelly estava com o mesmo vestido soltinho da outra vez, cabelo solto, óculos de nerd, sandálias rasteiras. Mas o olhar dela já era outro — safado, faminto. Diego não perdeu tempo e começou a provocar:


“E aí, Kelly… vai ficar só com o novato ou vai dividir o amor cristão com todo mundo?”


Ela mordeu o lábio, olhou pros três e respondeu com voz rouca:


“Eu dou conta dos três… fácil.”


Diego riu alto.


“Dúvida.”


Foi o suficiente. Kelly virou pra Leonardo primeiro, segurou o rosto dele e enfiou a língua na boca do filho do pastor com vontade. Depois veio pra mim. Eu ainda estava parado, sem entender porra nenhuma do que estava acontecendo, quando ela me puxou pela nuca e me beijou fundo, gemendo baixinho na minha boca, a língua quente e molhada rodando na minha.


Enquanto isso, Diego já tinha abaixado as alças do vestido dela. Os grandes seios pularam pra fora — pesados, redondos, bicos rosados e duros. Ele se abaixou e começou a chupar um deles com força, mordendo, sugando, enquanto Leonardo apertava e massageava a bunda empinada de Kelly por baixo do vestido, enfiando os dedos entre as coxas e sentindo a bucetona já encharcada.


Eu ainda estava perdido, mas Kelly não deixou. Ela voltou a me beijar, segurando meu pau por cima da calça, sussurrando contra meus lábios:


“Relaxa… hoje você vai me foder também.”


Em poucos minutos o vestido dela estava no chão. Kelly ficou só de calcinha fio-dental branca (que não escondia nada). Os três paus já estavam pra fora, duros pra caralho.


Todos comemos ela de todas as formas.


Primeiro Leonardo deitou ela na mesa e meteu na buceta enquanto ela chupava Diego. Depois trocaram: Diego sentou na cadeira e Kelly cavalgou ele de frente, os seios balançando pesados na cara dele, enquanto Leonardo enfiava na boca dela. Eu fiquei olhando, pau na mão, até Kelly esticar o braço e me puxar. Ela virou de quatro na mesa e mandou:


“Vem… me fode enquanto eu chupo os dois.”


Eu meti na bucetona dela por trás — quente, apertada, molhada pra caralho. Kelly gemia alto, sem vergonha nenhuma, rebolando contra mim enquanto alternava as duas rolas na boca.


Parecia que ela só pensava em rola: olhos revirados, saliva escorrendo pelo queixo, buceta apertando meu pau como se não quisesse soltar nunca.


Depois colocaram ela no chão, de quatro. Leonardo fodeu a buceta, Diego a boca, eu fiquei com a mão no cabelo dela, guiando enquanto ela engolia fundo. Trocaram de novo: Diego na buceta, Leonardo no cu (ela pediu, gemendo “mais fundo, porra”), eu na boca. Kelly virava de um pro outro sem parar, pedindo mais, mais rápido, mais fundo. Parecia uma puta em transe — só queria rola, gozo, ser usada.


No meio da foda, Leonardo confessou, ofegante:


“A gente viu tudo… eu e o Diego espiando pela janela aquele dia. Vimos você engolindo e levando gozada na cara dele.”


Diego riu, metendo mais forte:


“E foi foda pra caralho. Por isso a gente quis repetir… mas agora com todo mundo junto.”


Kelly só gemeu mais alto, excitada com a confissão.


No final os três gozaram quase juntos. Primeiro eu, explodindo dentro da boca dela enquanto ela engolia tudo que dava. Depois Leonardo tirou do cu e jorrou nos peitos. Diego gozou na cara, pintando os óculos, o cabelo, os lábios.

Kelly ainda pediu:


“Mais… tudo em mim…”


A crente deitou no chão, pernas abertas, buceta e cu piscando vermelhos de tanto foder.


Os três esvaziaram o resto — jatos grossos caindo nos seios, na barriga, nas coxas, na bucetona aberta. O chão ao redor dela ficou uma poça branca, leitosa, brilhando. Ela estava literalmente lambuzada, esticada no piso frio da salinha, cabelo grudado no rosto, óculos sujos de porra, seios enormes cobertos, barriga pingando, até os pés sujos.


Kelly sorria, ofegante, passando o dedo no meio do gozo e levando à boca, olhando pra nós três com cara de quem tinha acabado de descobrir o paraíso.


Eu não conseguia tirar aquela imagem da cabeça: Kelly estirada no chão, cercada de gozo nosso, corpo inteiro marcado, olhos brilhando de satisfação. Aquilo ficou gravado em mim pra sempre.


E pelo olhar dela… eu sabia que não ia ser a última vez.

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rosabel-poetry
rosabel-poetry

Pela primeira vez em sua vida, um cão de rua se depara com um bom humano, mas seu instinto se recusa a oferecer qualquer confiança. O que deveria ser um milagre transforma-se em pesadelo, alimentado por seus medos, receios e pelo silencioso desejo de ser mais do que apenas presas.

Esta obra integra a coleção Um Conto, uma seleção de contos e manifestos da autora Rosabel Poetry. A cada semana, um novo exemplar é disponibilizado gratuitamente. Acompanhe o cronograma para conhecer mais.

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autorismaelfaria
autorismaelfaria

Eu tinha 32 anos quando entendi que o silêncio também pode ser uma forma de abandono.

Doze anos de casamento. Doze anos de rotinas que começaram com carinho e terminaram em gentilezas vazias. Beijos rápidos. Mãos que me tocavam como quem confere se a porta está trancada. Nada de errado… e, ainda assim, tudo faltando.

Eu também não tinha filhos.
Não por acaso.
Eu tinha escolhido a carreira antes de qualquer outra coisa. A publicidade me consumiu por anos — campanhas, prazos, reuniões, viagens, ideias que nunca dormiam. Eu me tornei boa no que fazia. Muito boa. Mas, em algum lugar do caminho, eu deixei de ser mulher para ser função.

Meu corpo sabia disso antes de mim.

Havia noites em que eu deitava e o lençol parecia frio demais, como se a minha pele estivesse pedindo algo que eu não recebia mais. Um calor lento crescia por dentro, um desejo sem nome, uma vontade de ser sentida — não apenas amada.

Quando o divórcio veio, não houve drama. Só espaço.
Espaço demais.

Passei a morar sozinha, beber meu próprio vinho, escutar minha própria respiração. E foi nesse silêncio novo que eu comecei a ouvir o que eu havia calado por anos.

Eu não queria outro marido.
Não queria promessas.

Eu queria intensidade.
Queria me perder por um instante.

Sentada no sofá, luz baixa, pernas cruzadas, eu finalmente admiti: não era tristeza o que queimava em mim.

Era fome.

Eu me levantei com uma decisão que ardia por dentro.

Fui para o banheiro e tomei um banho lento, completo, deixando a água escorrer pelo meu corpo como se estivesse lavando doze anos de espera. Me toquei apenas o suficiente para sentir a própria pele, para lembrar que eu ainda estava ali — viva, sensível, faminta.

Depois, passei um perfume que eu sabia que poderia desarmar até o homem mais celibatário. Aquele tipo de aroma que não pede atenção… exige.

Vesti minha lingerie mais provocante. Não era para ninguém ver — era para eu sentir. Para me olhar no espelho e reconhecer aquela mulher que eu tinha deixado adormecida por tanto tempo.

Escolhi, com cuidado quase ritual, um vestido capaz de fazer homens e mulheres me desejarem. Um tecido que abraçava minhas curvas com intenção. Que não escondia. Que prometia.

Diante do espelho, respirei fundo, os olhos mais quentes do que eu lembrava de ter.

— Esta noite vai ser minha.

E, pela primeira vez em muitos anos, eu realmente acreditei nisso.

Parei na primeira balada que encontrei.

Luzes quentes, música pulsando como um coração acelerado, corpos se movendo em sintonia com algo que não precisava de explicação. Homens e mulheres preenchiam o lugar, risos misturados ao som dos copos, olhares que se cruzavam como promessas silenciosas.

Entrei como quem já não pede licença.

Eu sentia os olhos sobre mim quase de imediato. Não porque eu estivesse procurando atenção — mas porque, naquela noite, eu carregava algo diferente. Uma espécie de eletricidade sob a pele. Um convite que não era dito, apenas sentido.

E eu não me importava com o que viesse a acontecer.

Caminhei até o bar, pedi uma bebida forte e me encostei ali, observando o mundo girar ao meu redor. Cada batida da música parecia acompanhar a pulsação dentro de mim. Eu estava ali para sentir. Para existir sem freios, sem passado, sem explicações.

Doze anos de contenção tinham ficado para trás naquela porta.

Agora, eu era só eu — e uma noite inteira pela frente.

Eu me aproximei do bar e pedi uma Vodka caprichada. Daquelas que queimam só o suficiente para lembrar que se está viva.

Enquanto o barman preparava, meus olhos o encontraram.

Moreno. Alto. Postura firme. Um tipo de presença que não implora por atenção — simplesmente ocupa espaço. Algo nele me despertou por dentro como um estalo silencioso. Um calor breve, preciso. Mas meu rosto não entregou nada.

Postura é tudo para uma mulher.

Fingi desinteresse, girando o copo entre os dedos, até sentir — mais do que ver — quando ele me notou. Não demorou. Homens assim sempre percebem quando alguém os observa, mesmo em silêncio.

Ele se aproximou com calma, confiante.

— Posso te acompanhar?

Eu sorri de lado, aquele tipo de sorriso que não concede nada de graça.

— Depende… você costuma pedir permissão para sentar, ou isso é só charme de primeira rodada?

Os olhos dele brilharam por um instante.

Por dentro, eu já o queria.
Por fora, eu era só controle e ironia bem vestida.

— Maitê — eu disse, erguendo o copo. — E você?

A noite, eu sabia, acabava de começar.

— Lucas — ele respondeu, a voz baixa, firme, do tipo que não precisa se impor. — Prazer.

O nome combinava com ele. Curto, direto, sem rodeios.

— Lucas… — repeti devagar, como se estivesse provando o som. — Então você decidiu mesmo vir até aqui.

Ele sorriu de canto, apoiando o cotovelo no balcão ao meu lado.

— Quando uma mulher me olha daquele jeito, fingindo que não está olhando, eu costumo ouvir.

Inclinei levemente a cabeça, bebendo um gole da Vodka.

— Cuidado — eu disse, em tom irônico. — Você pode estar confundindo curiosidade com convite.

— E você pode estar usando ironia como desculpa.

Meu sorriso cresceu, discreto. Elegante. Perigoso.

Ele tinha razão.
E eu sabia disso.

Mas postura… postura é tudo.

— Então, Lucas — falei, encarando-o agora sem fugir —, vai ficar me analisando a noite inteira ou pretende me fazer esquecer que estou entediada?

A música pulsava entre nós.
E o jogo tinha começado.

Direta, eu joguei os cabelos para trás e me virei sem olhar se ele vinha.

Caminhei até a escada que levava para a parte mais alta da casa, os degraus iluminados por uma luz baixa, quase íntima. Cada passo meu era calculado — não para provocá-lo, mas porque eu sabia exatamente o efeito que causava.

Ainda assim, senti quando ele me seguiu.

Não precisei olhar. Havia algo quase magnético no jeito como a presença dele se aproximava, firme, silenciosa, determinada. A música ficava mais distante a cada degrau, substituída por um murmúrio abafado e uma atmosfera mais densa.

No topo da escada, parei por um instante.

Virei o rosto apenas o suficiente para que ele visse meu sorriso.

— Achei que você fosse desistir.

Lucas estava perto demais agora. Não me tocava. Não precisava.

— Não esta noite — ele respondeu.

Eu segurei firme a nuca de Lucas e o puxei para mim.

O beijo veio rápido, decidido, como se eu estivesse cansada de ensaiar aquela cena na minha cabeça. Minha boca encontrou a dele com uma urgência que eu não fazia questão de esconder — mas o ritmo, a profundidade, o tempo… tudo ainda era meu.

Eu controlava.

Sentia a respiração dele mudar sob meus dedos, o corpo responder antes mesmo da mente. Havia algo quase delicioso em saber que aquele homem, tão confiante minutos antes, agora seguia o compasso que eu ditava.

Quando me afastei por um instante, nossos rostos ainda estavam próximos demais.

— Eu disse que esta noite seria minha — murmurei, a voz baixa, segura. — Você só está… participando dela.

E, pela primeira vez em muito tempo, eu não estava pedindo nada a ninguém.
Eu estava escolhendo.

O próprio Lucas não sabia, mas, na verdade, o que eu queria ali não era só provocar.

Por trás da postura, do sorriso calculado e do controle que eu fingia dominar tudo, havia outra coisa queimando em mim. Eu não tinha vindo até aquela balada para vencer um jogo. Eu tinha vindo para perdê-lo.

Eu queria, por um instante, deixar de ser a mulher impecável, a publicitária estratégica, a esposa que sempre soube se conter.
Eu queria sentir algo que escapasse da minha expectativa.
Algo que me tirasse do eixo.
Algo que não obedecesse à minha vontade.

Segurando a nuca dele, eu ainda parecia no comando…
mas por dentro, eu implorava por algo que me arrancasse desse controle.

Talvez fosse isso que mais me excitava naquela noite:
a ideia de finalmente não saber o que viria depois.

Coloquei a mão dentro do meu vestido, puxei a parte de baixo da lingerie para fora e me virei para Lucas, abrindo o zíper de sua calça, puxando seu membro para fora. Fiz o que quis com ele ali, usando minha boca.

Puxei Lucas para uma sacada que havia perto da janela, fazendo com que Lucas me pegasse com força. Ele me invadiu e ali mesmo consumou parte do prazer que eu queria sentir.

Eu deixei a postura cair.

Foi quase um gesto de rendição quando deslizei a mão por baixo do tecido do vestido, sentindo a própria pele quente demais para a noite. Lucas percebeu na mesma hora — o ar entre nós mudou, ficou denso, elétrico.

Me virei para ele sem pressa, olhos nos olhos, como se estivesse entregando algo que eu sempre mantivera trancado.

O sorriso dele desapareceu.
Agora havia fome.

Eu me aproximei, lenta, perigosa, sentindo o efeito que causava. Não precisei dizer nada. Minhas mãos, meu corpo, meu olhar… tudo falava por mim. Lucas respondeu do único jeito que um homem pode quando uma mulher o escolhe daquele modo: inteiro, atento, tenso.

O mundo ao redor deixou de existir.

Eu o conduzi até perto da sacada, onde a luz da cidade entrava em lâminas douradas pela janela. O vidro refletia partes de mim que eu mesma quase não reconhecia — uma Maitê mais solta, mais ousada, mais viva.

Quando ele me envolveu, não foi delicado.
Foi necessário.

Eu queria sentir.
Queria me perder.
Queria que algo em mim finalmente se rompesse.

E ali, com a noite aberta diante de nós e o corpo dele colado ao meu, eu soube que estava conseguindo exatamente isso.

Não era só desejo.
Era libertação.
Eu não perdi a postura de uma vez.
Ela foi se desfazendo em camadas.

Primeiro foi o jeito como eu respirava — menos contido, mais fundo. Depois, o modo como meus ombros relaxaram, como se o peso de doze anos tivesse escorrido por eles. A mulher que entrou naquela balada com o vestido impecável ainda estava ali… mas já não comandava sozinha.

Algo em mim tinha sido despertado.

Eu sentia meu próprio corpo como se fosse novo, como se cada gesto, cada arrepio, cada olhar de Lucas estivesse reescrevendo quem eu era. Não era só desejo — era reconhecimento. De uma parte minha que tinha sido silenciada por muito tempo.

E quando me dei conta, eu já não me preocupava mais em parecer elegante, correta ou intocável.

Eu queria ser sentida.
Queria ser vista.
Queria ser real.

Aquela Maitê que calculava cada palavra, cada passo, cada reação… estava ficando para trás, como um vestido caro deixado numa cadeira.

No lugar dela surgia outra mulher.

Mais viva.
Mais quente.
Mais perigosa.

E, pela primeira vez desde que me lembrava, eu não estava tentando controlar o que acontecia comigo.

Eu estava permitindo.

A respiração de Lucas ao meu pé do ouvido soava como uma provocação intensa, que me fazia ficar de pernas trêmulas, seja com os movimentos dele dentro de mim, fosse por sentir o calor daquele corpo moreno passar para o meu (Céus! Era isso que eu queria sentir, Papai!).

O que mais me incendiava não era só Lucas.

Era o risco.

A sacada aberta, a cidade viva lá embaixo, o fato de que alguém podia passar, olhar, perceber algo fora do lugar… tudo isso fazia meu coração bater mais forte. Cada batida parecia dizer que eu estava indo longe demais — e, ainda assim, eu não queria parar.

Por anos eu vivi protegida por regras. Pela carreira, pelo casamento, pela imagem que eu mesma construí. Agora, ali, tão perto de ser vista, de ser julgada, de ser descoberta, eu sentia algo que nunca tinha sentido antes: liberdade.

O perigo me despia mais do que qualquer mão.

Eu não era mais a mulher que calculava.
Eu era a mulher que sentia.

E quanto mais aquela linha invisível entre o certo e o proibido ficava fina, mais eu me sentia viva. Meu corpo reagia à tensão, ao segredo, ao quase-flagrante como se fosse música.

Talvez fosse isso que eu sempre tivesse buscado:
não apenas prazer,
mas a vertigem de sair do lugar onde eu sempre me escondi.

E naquela noite, pela primeira vez, eu não estava fugindo do perigo.

Eu estava correndo em direção a ele.

Roupas parcialmente ao chão.

Tecidos que já não cumpriam sua função, largados como sinais de rendição. Meu vestido ainda me tocava, mas de um jeito diferente — menos como armadura, mais como lembrança do que eu tinha sido minutos antes.

O ar da noite encontrava minha pele e me fazia arrepiar. A cidade, logo ali, parecia respirar comigo.

Cada pedaço de tecido que escorregava era mais uma camada de controle que eu deixava cair.

Eu não estava apenas me despindo.

Eu estava me transformando.

E quanto mais exposta eu me sentia — ao vento, ao olhar de Lucas, ao risco invisível de ser vista — mais intensa aquela versão de mim se tornava.

A mulher que entrou naquela balada precisava de postura.
A que estava ali agora… precisava de verdade.

A cidade brilhava lá fora como se fosse cúmplice.

O vento da sacada deslizava pela minha pele enquanto eu me movia contra Lucas, sentindo cada reação dele como se fosse música. Nossos corpos se buscavam sem pressa agora, como quem descobre um ritmo próprio. As mãos dele exploravam, puxavam, seguravam; as minhas guiavam, provocavam, exigiam.

Eu já não fingia mais controle.
Eu estava entregue.

A cada movimento, algo dentro de mim se desfazia — não em pedaços, mas em camadas. A mulher que tinha passado doze anos sendo previsível, correta, moderada… estava ficando para trás, dissolvendo-se naquela noite quente.

Havia algo quase poético no jeito como nos encontrávamos: às vezes lentos, às vezes urgentes, sempre intensos. O vidro refletia sombras de nós dois — uma mulher que se permitia, um homem que a acompanhava sem tentar domá-la.

Eu fechei os olhos por um instante, sentindo tudo.

E quando voltei a abri-los, eu já não era mais a mesma.

Saímos dali pouco depois, como se carregássemos um segredo entre nós. O caminho até minha casa foi silencioso, mas carregado de expectativa. O tipo de silêncio que vibra, que promete.

Ao abrir a porta do meu apartamento, senti algo definitivo acontecer.

Aquele espaço — antes limpo, organizado, solitário — agora parecia pronto para me receber de um jeito diferente. As luzes suaves, o sofá, as paredes que já tinham ouvido tantos silêncios… tudo agora seria testemunha de uma nova versão de mim.

Deixei a bolsa cair sobre a mesa.
Me virei para ele.

— Bem-vindo à minha vida fora do controle — eu disse, com um sorriso que já não pedia aprovação.

Lucas me olhou como se entendesse exatamente o que isso significava.

Ali, naquela sala, eu não era esposa, não era publicitária, não era imagem.

Eu era apenas Maitê.

Uma mulher que tinha ousado desejar.
Que tinha atravessado o perigo.
Que tinha escolhido sentir.

E, naquela noite, mais do que prazer, eu encontrei algo ainda mais raro:

Eu encontrei a mim mesma.

Autor Ismael Faria
DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS
LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.