Às vezes me pergunto se você sabe o quanto existe de você dentro de mim.
Não como uma lembrança passageira, nem como uma história antiga que o tempo apagou. Você ficou em um lugar mais profundo que isso. Como uma presença silenciosa que atravessou anos, escolhas, caminhos… e ainda assim nunca desapareceu completamente.
Houve momentos em que eu tentei entender o que era esse sentimento. Se era amor, saudade, apego ou apenas um devaneio de algo que nunca chegou a acontecer de verdade. Mas com o tempo eu percebi que talvez não seja sobre encontrar um nome.
Porque o que eu sinto por você nunca foi pequeno.
Eu não te carreguei dentro de mim com raiva.
Eu não quis te punir.
Eu nunca quis te devolver a dor.
Na verdade, muitas vezes eu fiz o contrário.
Eu me preocupei com você em silêncio. Me preocupei com o seu coração, com o peso das suas escolhas, com aquilo que você carregava dentro da sua própria consciência. Houve inumeros dias em que eu orei por você, mesmo sem você saber. Não pedindo que você ficasse comigo, mas pedindo que você ficasse bem… que encontrasse clareza, coragem, paz.
Porque apesar de tudo, o que eu senti por você sempre teve mais cuidado do que cobrança.
E talvez seja por isso que ainda exista uma pergunta quieta dentro de mim.
Eu fico imaginando como seria olhar nos seus olhos, depois de todo esse tempo, e descobrir se aquilo que viveu dentro de mim por tantos anos também continua vivo dentro de você.
Não para exigir respostas. Não para pedir promessas. Não para reabrir feridas.
Só para saber se, em algum momento da sua história, você também sentiu esse mesmo silêncio cheio de coisas nunca ditas.















