Aquele olhar de desprezo que me sucinta e me faz lúcido. Se hoje eu posso expressar e dizer é porque não me faz mais diferença. Justo a indiferença que é a razão disto. Se mentir não me trás mais prazer— se é que um dia já tive, hoje apenas a indiferença é a resolução desta desgraça. As vezes me perco nos pensamentos e no vazio da existência, mas quando ela vem, já sei o que fazer.
A tortura para com o meu semelhante também perdeu-se o sentido. No final das contas, ele se foi e eu continuarei a sentir— se é que sinto algo, o mesmo de sempre; indiferença.
Desprezo não é uma forma leve. Se é que posso afirmar-lhes que seria uma emoção ou algo psicológico ou psicopatologico… é ruim. Esse vazio eterno que não acaba, a perca total da esperança na humanidade, a falta de conexão com o sexo oposto, essa amargura que assemelha-se à cacos de vidros descendo pelo esófago e rasgando com os intestinos( que puta desgraça é essa eternidade temporal finita).
Quero descansar. Quero deitar-me na cama e não pensar em perversidade. Queria eu poder tratar-me com médicos e cientistas, eu sei o meu problema; e ele somente se finalizará quando eu fechar os olhos e estes não abrirem-se mais. Quem sabe ainda sofrerei o resto da eternidade escatológica no inferno, neste caso, estarei condenado mesmo à tortura infinita.
Desgraça. Que desgraça! Maldita desgraça
Sem discurso de ódio ou incentivo