Mais uma noite deles
É mais uma noite em que eles se encontram e criam momentos.
Planejaram cozinhar, beber um pouco, assistir a um filme, ter uma noite de jogos e dormir juntos.
Mas, na prática, o planejamento deles é só um detalhe — algo que poderia muito bem nem existir.
O horário é sempre o primeiro a sair do controle.
Eles marcam às 17h para ir a uma padaria tomar café, mas às 18h ainda estão resolvendo imprevistos.
Só às 19h conseguem, enfim, se encontrar.
Às 19h30 o plano de cozinhar juntos começa: fraldinha com batata frita e molho reduzido.
Ele cuida da carne enquanto ela descasca as batatas.
Então as coisas começam a acontecer — um leve corte no dedo dele, e a enfermeira sem curativo rápido ataca novamente.
Improviso: um pedaço de gaze amarrado com um nó. Problema resolvido.
Vamos ao fogão… e, claro, o gás acaba.
Mais uma vez, o improviso se faz presente.
Uma frigideira e um fogareiro elétrico de acender carvão de narguilé poderiam resolver?
Não exatamente — mas quase.
As batatas e a carne foram finalizadas na air fryer, e o molho reduzido saiu, sim, na frigideira e no fogareiro elétrico.
Enquanto cozinhavam, outro problema esperava: o filme.
Ela havia levado a TV da antiga casa para a nova, mas o controle tinha ficado lá.
“Malditas TVs modernas que têm só um botão…”
Só pensamos melhor de barriga cheia — e, no fim, o jantar saiu.
Carne macia, batatas crocantes e um molho feito na medida certa.
Estava realmente muito bom.
Até comentaram que ficou melhor que o vídeo de inspiração.
O lado sensato deles falou mais alto e fez com que fossem buscar o controle da TV —
porque, do contrário, ele teria que fazer a peça de teatro da vida dele para ela, e ela para ele o tema seria uma comédia, terror não vinha ao caso…
Tudo pelo entretenimento.
Na casa nova ainda não havia internet, então estavam à moda antiga:
baixar filmes no pendrive e assistir o que desse para baixar.
De volta à casa nova, agora com o controle em mãos, pensaram que nada mais os impediria de assistir ao filme.
Mas o problema ainda estava lá — a televisão simplesmente não reconheceu o pendrive.
Por sorte, quando ela pegou o controle, também trouxe o notebook.
As luzes se apagam, a TV é desligada, o sofá é reclinado.
Deitados, assistem ao filme pelo notebook mesmo.
Então, chegam ao auge do momento: o toque, as mãos dadas, estão confortáveis porque, independentemente dos problemas que surgiram, foram base um do outro e não desistiram nem desanimaram do que haviam planejado para aquela noite.
Em agradecimento, trocaram carinho.
Ele, como gosta, faz carinho nos cabelos dela e sente o cheiro que ela tem.
Ela, por sua vez, adora sentir o abraço, as veias e o toque da mão dele junto à sua.
O primeiro filme chega ao fim — uma comédia que rendeu boas risadas e comentários bem avaliativos, criteriosos e passíveis de uma discussão amigável.
…
No segundo filme, fazem uma pausa — na verdade, uma pausa na atenção para o filme, e toda a atenção se volta para eles.
Têm uma conversa profunda, daquelas que sempre têm e precisam ter: sobre gratidão, sobre o passado, o presente e o futuro; sobre medo, respeito, admiração e, principalmente, sobre a amizade, que é a base de tudo.
Após a “terapia”, mais um filme, uma comedia antiga, que fez eles irem para o quarto no amanhecer, deitaram e conseguiram dormir…
“E assim, entre risadas, improvisos e conversas profundas, a noite se despediu deles. Dormiram abraçados, com o coração leve, sabendo que cada momento vivido juntos valia mais do que qualquer planejamento mesmo que se não fossem perfeito os dois o fariam ficar”