Pôr do Sol
Ontem eu vi o céu.
O Sol me chamou.
Ele se despedia num espetáculo silencioso e dançante,
Numa música que só os atentos ouviam.
Brincava por entre as árvores e nuvens no horizonte
e era quase possível olhar diretamente pra ele.
Os pássaros pareciam dançar aos pares, e as nuvens também.
Era lindo, colorido, um show à parte.
As cores migrando do amarelo, para o laranja e finalmente para o rosa e roxo.
Fechei os olhos por um momento para fazer uma oração silenciosa, mas senti algo bater no meu lábio superior.
Abri os olhos como quem é chamada para ver algo, e não fechei mais.
Só consegui sair dali quando o último tom de rosa sumiu.
Perdi a noção do tempo, mas facilmente um hora se passou comigo em pé, de pijama, apoiada à janela, num friozinho de fim de dia.
Me imaginei voando com os pássaros e no meio das nuvens,
douradas e depois cor de rosa, em movimentos leves, livres e ritmados.
Não havia celular para registrar o momento, mas esse com certeza ficou gravado em mim.
O Bing Bong nas nuvens, me lembrando de ir até a lua,
As fadas, os peixes e as sereias nas nuvens, me lembrando da minha essência,
Os pássaros, e até patos, voando no céu me lembrando da leveza e da liberdade que me habitam.
Por fim não resisti e cantarolei uma canção inventada, e um pássaro parou para ouvir, e mais outro e depois mais outro.
E enquanto cantarolava eles olhavam pra mim, cantando também quando eu parava.
Não foi só um pôr do sol, não foi só um presente sensorial, foi uma lembrança para ser eu, sempre.
Com um coração leve e cheio de gratidão, me despedi agradecendo pelo presente tão simples e especial.